sábado, junho 21, 2003

"O Tempo não pára"



Todo mundo fala do tempo. Todo mundo pensa no tempo. Nem todo mundo liga pro tempo. Até que um dia, pensar nele se torna inevitável... Uma coisa que gosto de fazer é personificar, dar vida à algo qualquer, me obriga a perceber suas particularidades, dar mais valor ao "sem valor". O Tempo, um bom velhinho, cabelos e barba brancos, muito sábio e quieto, usando uma grande manta de cor viva, uma espécie de bengala e sandálias de couro envelhecido. Sua grande virtude, a paciência. Joga xadrez como ninguém. Um excelente escultor. Adora esculpir. Está sempre sentado, sob o Sol ou a Lua, esculpindo à nós. Todas suas obras estão inacabadas, pois o Tempo está sempre descontente com o que criou. Quando acha que já deu muita atenção à uma escultura, a coloca de lado e inicia uma nova peça de madeira ou melhora uma antiga, dependendo do seu humor, mas com a mesma paciência de sempre. Sempre com seu martelinho e sua talhadeira (formão) em mãos, talhando, com todo o cuidado para não errar. A peça que no início era apenas um tronco como outro qualquer, vai tomando forma sob seu talento. Até que um dia, devido aos retoques, a estátua está tão pequena, que não pode mais ser talhada. É então colocada na prateleira do Tempo, junto às outras milhares. Às vezes, enquanto descansa e bebe seu chá, ele gosta de olhar para a prateleira e recordar das lembranças que cada estatueta daquela lhe traz. E rapidamente retorna ao trabalho, porque como sabemos, o Tempo não pára...

- Israel Son - 00:32




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